De volta a casa… 6 Abril, 2009
Posted by André Mendes in Médico.3 comments

Depois de um dia muito longo e pleno de “aventura”, estamos finalmente de regresso a casa, mesmo sem termos falado com o médico. Acho que a última operação estava-se a complicar um pouco e ele mandou-nos embora. E ainda bem. Já estávamos fartos de estar enfiados no quarto do Hospital a olhar para a televisão e a Raquel já estava a ficar cheia de sono, o que ainda ia aumentar as birras e as fitinhas. Ela parece estar bem melhor e já se notam diferenças ao fim de umas horas, mas assim que chegou a casa e caiu na realidade do seu ninho, lá veio mais um choro dos feios, e com ele a vomitadela de que estávamos à espera no hospital. Saiu tudo o quando era expectoração, restos de sangue, anestesia (provavelmente) e o pouco que ela já tinha comido. Mas falei com ela com calma e como agora ela até ouve o que eu digo, lá acalmou. Agora está finalmente a dormir e a descansar. E eu vou fazer exactamente o mesmo, que estou cheio de dores nas pernas e em quase tudo o que é músculo. Foi um dia muito intenso e com os nervos à flor da pele, mas se há coisa que não vou esquecer, é a simpatia de toda a gente com que falámos e com quem lidámos directamente, independentemente da sua função, e da fantástica vista do quarto da Raquel, no sexto andar do Hospital da Cruz Vermelha. Obrigado por tudo. O serviço público também devia ser assim, mas claro que isso é uma utopia…

Missão cumprida! 6 Abril, 2009
Posted by André Mendes in Médico.3 comments
Ainda mal tinha acabado de escrever no post anterior que estes minutos pareciam horas e já tinha um daqueles homenzinhos de verde ao meu lado a perguntar se eu queria entrar. Claro que aceitei de imediato e fui também mascarar-me de homenzinho verde outra vez. Cheguei ao pé dela e da João justamente na altura em que ela começou a acordar, pelo que pude manter (mais ou menos) a minha promessa de nunca sair do lado dela. Começou a chorar bastante e ainda de uma forma um pouco arrastada, mas ali estava ela. Até toda entrapada e entubada é linda. Quis ir para o colo da mãe e resmungou com quase toda a gente que se metia com ela, o que só prova que era a nossa Raquel. Tinha um tubo na mão, que foi trocado por um “autocolante com almofada” e não demorou muito tempo até regressar ao quarto.
Ainda fez algumas fitas e não quer falar com ninguém, mas é fantástico ver a recuperação que já teve na última hora. Já devorou o tupperware com o puré de maçã e um copo de Haggen-Dazz “doce de leite” e parece estar cada vez mais bem-disposta e alegre. Até já anda a pôr as enfermeiras em sentido caso demorem muito a trazerem-lhe as coisas. E claro que a televisão já está no Canal Panda. Já se vê o Noddy, por aqui…

Já está 6 Abril, 2009
Posted by André Mendes in Médico.2 comments
Mal deu tempo para comer qualquer coisa e voltar a descer para o quarto, fomos logo chamados para o piso do bloco operatório. A operação já acabou, mas agora foi a João que foi lá ter com ela. Desta vez não foi “só a mãe”, foi “um dos pais”, o que, na minha opinião, é o mais correcto. O que me custa agora é esta espera. A João deve estar à espera que ela acorde e eu estou no corredor à espera de saber, pelo menos, se correu tudo bem. Estes minutos parecem horas…
O momento é agora 6 Abril, 2009
Posted by André Mendes in Médico.add a comment
Acabei de deixar a Raquel a dormir no bloco operatório, não é uma sensação lá muito agradável. Estive com ela o tempo todo de forma a tentar atenuar toda a curiosidade que vai dentro daquela cabeça, até porque ela não está habituada a ver-me totalmente vestido de verde, com uma touca na cabeça e meias fora dos sapatos. “puqué que teinjaquilo axim?”, perguntava-me ela enquanto olhava e apontava para os meus pés. Contei piadas enquanto lhe colavam coisas no peito e num dedo, ajudei a alimentar a ideia de que o doo-doo era o boneco mais especial de todos porque até tinha autorização para estar ali dentro e que eu ia estar sempre ali com ela. Participei no processo da anestesia e na espécie de peça de teatro que lhe contámos para ela adormecer enquanto “enchia um balão”. Não é fácil enganar a espertalhona da Raquel, mas a anestesia é superior a isso tudo e acabou por vencer. Foi a parte que mais me custou mas os episódios que já vi do serviço de urgência seviram para me fazer aperceber de que era uma reacção perfeitamente normal e foi justamente o que a outra pessoa vestida de verde mesmo ao meu lado me confirmou segundos depois. Deixei a Raquel na sala e tive de sair. Ainda falei uns minutos com o médico, antes de trocar de roupa e sair para junto da João, que estava cá fora à espera. Uma das perguntas que ele me fez foi se eu queria assistir. Por acaso, até acho que era uma coisa que eu gostava, mas o pequeno formigueiro que estava a sentir a subir-me pelas pernas levou-me a dizer que era capaz de não ser muito boa ideia. Fui antes almoçar…
Duas horas depois 6 Abril, 2009
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Já passaram duas horas e ainda não houve operação. Felizmente, entrámos logo para um quarto com o Canal Panda, a Raquel vestiu a bata do Hospital e mediu a tensão. Estava com 9/5 e com a pulsação nos 100 certinhos, tipo relógio. Entretanto, acabou por adormecer ao meu colo e agora está a dormir a sua sesta calmamente. O ideal era que quando acordasse já estivesse tudo despachado, mas não pode ser assim tão fácil. Entretanto, continuamos à espera.


O momento da espera 6 Abril, 2009
Posted by André Mendes in Médico.add a comment

Começou o momento mais complicado, o da espera. E ainda por cima, já começou a fase do sono e da fome e do “quero uma bolacha”, pelo que as próximas horas não vão ser fáceis. E também já apareceram as perguntas do “porque é que estamos aqui?” e “onde é que está o Dr. Alcides?”. Tudo agravado pelo sono… (suspiro!)
Dia da operação 6 Abril, 2009
Posted by André Mendes in Dúvidas, Médico.7 comments
Acabou a contagem decrescente. É hoje o dia em que a Raquel vai conhecer algo que eu, felizmente, nunca tive de conhecer. Vai ser hoje a sua primeira operação e espero que seja também hoje a sua última. Já está marcada há algum tempo e tambem já há algum tempo que queria registar este passo aqui no cantinho dela, mas a falta de tempo é um bicho feio e indomesticável que eu não consigo controlar.
A operação, todos me dizem ser bastante simples. Afinal, felizmente, a Raquel não está com uma doença grave, que precise de intervenção urgente (batam na madeira). Vai “apenas” retirar os adenóides e colocar uns pequenos tubos nos ouvidos, de forma a ajudá-la a respirar melhor e a recuperar a audição que tem vindo a perder nos últimos meses. Desde Setembro que as otites não a largam e tem tomado antibióticos atrás de antibióticos, o que também não é bom para ela.
É claro que para muita gente isto não tem nada de mal e é uma coisa de rotina, mas continua a ter de ser feita à “minha” Raquel e inclui uma anestesia geral. E eu, confesso que nem sei muito bem o que sentir. Sei que já ando com o meu sistema nervoso completamente baralhado e que não estou minimamente preparado para nada de nada, seja bom ou mau. E nem sequer sei se devo ou não estar preparado para alguma coisa. Estaria a mentir se não dissesse que estou assustado e preocupado com a operação. É um mundo onde nunca estive e onde só vou querer estar o tempo estritamente necessário, do qual não percebo nada e sinceramente também não faço questão. Infelizmente, já passei por alguns momentos na minha vida que me marcaram muito e que me fizeram sofrer bastante e a ideia de não ver a Raquel todos os dias assusta-me. E tenho também a desvantagem de ser bastante pessimista, não consigo evitar. É, se calhar, por isso, que estou com esta parvoíce deste texto.
Seja como for, hoje, tudo isso vai ficar para trás. Vou enfrentar o touro de caras. Não vou pensar em mais nada até ao momento em que isso seja necessário, mas estou desejoso que este dia passe depressa e que a Raquel fique livre para sempre das dores de ouvidos e de garganta que lhe dão um mau-estar incrível e a obrigam a tomar medicamentos atrás de medicamentos. Hoje sou totalmente da Raquel, não quero saber de mais ninguém e, tal como a João, não vou sair do lado dela a não ser que me obriguem. Mas espero que tudo passe rápido (21 minutos e meio, segundo o médico) e que eu possa sair do Hospital citando o Sérgio Godinho, ao pensar que será o primeiro dia do resto da vida da Raquel. Só aí vou conseguir suspirar de alívio. Por mim, e especialmente por ela…