Saudades da chucha
07 Ago 2009 1 Comentário
in Opiniões

Nunca esperei dizer isto, mas tenho de confessar que tenho saudades da chucha. E não estou a citar a Raquel. É mesmo uma opinião minha! Faz hoje dois meses que a Raquel decidiu ir deitar a chucha dela no caixote do lixo. Um acto de que ela se arrependeu claramente, mas que também não quis dar o braço a torcer e não tentou desfazer (e nós ajudámos a que assim fosse). No entanto, faz também hoje dois meses que o acto de adormecer a Raquel fosse também quase sempre uma pequena tortura, pois em vez que meter a chucha na boca e adormecer, ela grita, esperneia, faz fitas por tudo e por nada, resmunga, geme, etc, etc…
Depois da lobotomia que levámos dos médicos, da família e do “saber popular”, achámos que o facto de ela continuar com a chucha seria cada vez mais complicado para os dentes dela e também para a fala e a comprovação de que tínhamos razão nesse ponto, é que ela está a falar muito melhor e os dentes estão muito mais certinhos do que estavam até há bem pouco tempo. Só que sem a chucha, ela não se cala um bocadinho. Tem de ser sempre ela a ter a última palavra numa discussão ou argumentação. Pisa sempre muito mais o risco em relação ao que deveria e demora uma eternidade para adormecer, seja para a sesta ou à noite. As fitas constantes estão a dar cabo de nós e já nos esgotaram mais a paciência do que qualquer outra coisa desde que ela nasceu. É que, sempre que surgiu um novo problema, tentámos sempre encontrar a melhor solução e não nos temos dado muito mal com isso, mas agora, já estamos quase em fase de desespero e sem saber o que fazer. Estamos cansados da fita constante e da gritaria e dos choros desnecessários. Muito mesmo. E a solução teima em não aparecer. Tenho saudades da chucha…
Olhos bem abertos
06 Ago 2009 1 Comentário

Ontem foi o dia de aniversário do avô e ficámos até à última hora convencidos de que não conseguíamos mesmo ir. Uma viagem ao dia de semana até Mafra, passando pela Costa da Caparica e por Alverca, depois de sair de Lisboa à hora de ponta não é das coisas mais fáceis de se fazer. No entanto, movimentando algumas pessoas e alterando o ritmo normal da semana, lá se conseguiu encontrar uma solução e conseguimos estar presentes para cantar os parabéns ao Avô Gilinho. De olhos bem abertos e muito bem disposta, pelo menos antes de lhe dar o sono, a Raquel voltou a cativar toda a gente com a sua alegria, boa disposição e sentido de humor e mostrou que, em algumas situações, até já é uma menina muito crescida. No entanto, depois de tantas horas longe da cama, o sono lá acabou por chegar e tivemos de fazer as despedidas num instante e regressar a casa. A moleza era tão grande que passados três ou quatro minutos depois de arrancar com o carro, já se ouvia um pequeno ressonar do banco de trás. Parabéns Avô!
Migalhas
05 Ago 2009 1 Comentário
in Coisas
Depois de lhe passar um muffin de chocolate para a mão:
“- Raquel, por favor não faças migalhas.”
“- Está bem papá…”
Resultado:

Dupla personalidade
02 Ago 2009 1 Comentário
in Opiniões

Ontem foi o dia de aniversário do vizinho Joaquim, de que a Raquel tanto gosta. Durante toda a festa, ela esteve impecável, sempre com o seu sentido de humor bem apurado, com uma energia incrível e fartou-se de brincar com os outros convidados, fossem estes da idade dela, mais novos ou mais velhos. A vergonha inicial do costume passou muito rapidamente e depressa saiu de trás das pernas da mãe e passou a conversar directamente com toda a gente. Jantou ao lado da mãe da Sofia, riu, brincou, quando tinha vontade de ir à casa de banho, desenrascou-se sempre da melhor forma, fosse com a mãe ou com alguém de “confiança”. Enfim, um verdadeiro espectáculo. Mas depois, já à noite, depois de entrar no carro comigo e com a mãe, começaram os disparates. A caminho de casa, uma viagem que demora apenas uns dez minutos demorou quase o dobro, pois foi preciso parar uma vez para fazer xixi, pois não conseguia mesmo esperar até chegar a casa e uma outra porque “tinha coisas na barriga que queriam sair”, ou seja, depois de uma tosse, deve-lhe ter vindo qualquer coisa à boca e tivemos obrigatoriamente de parar só para que ela pudesse sair do carro e voltar a entrar. Depois de chegar a casa, começaram as fitas mais a sério. “Não quero isto, não quero aquilo”; “Não quero ir para a cama”; “Quero a mamã”; “Quero o papá”; “Quero água”; “Não quero”, etc, etc. Um autêntico castigo que se mantém desde que entra em casa, até que finalmente adormece e que, devido à gritaria/choradeira/fitas/respostas tortas/gestos e um constante esticar de corda para ver até onde consegue ir, nos leva toda e qualquer réstia de paciência que ainda vamos obrigatoriamente de ir tendo.
Ontem, no entanto, vi um pouco de um episódio da primeira temporada de Heroes e lembrei-me que a Raquel poderá eventualmente ter os mesmos poderes da personagem “Niki” ou “Jessica”, que se resumem a um caso de dupla personalidade. De um lado, temos a doce Niki, muito calma e tranquila, algo insegura, mas com um fundo bom e do outro surge “Jessica”, agressiva, dominadora e quase maquiavélica, determinada em mandar e afastar todas as complicações que lhe surgem pela frente. Um excelente trabalho da actriz Ali Larter, que consegue interpretar duas personalidades completamente distintas de uma só vez, mas que me deixa a pensar se a Raquel não será um pouco assim também. Outro dos pontos que me levou a pensar nesta teoria, foi o facto de “Niki” ter descoberto “Jessica” através dos espelhos que tinha em casa e a Raquel passa que tempos a olhar para os espelhos e quase parece conversar com a sua silhueta, através de risos, caretas e as tais fitas e choros. Para quem não se lembra da actriz em Heroes e da sua dupla personalidade, aqui fica um pequeno filme para relembrar…

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